“Ele não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos…”.

Se há o ser e não o nada, como é certo que há, então o ser que há necessariamente sempre houve e sempre haverá, porque ele não pode ter surgido do nada nem pode ir para o nada, porque o nada absoluto é pura ausência de qualquer modo de ser, o que inclui qualquer poder e possibilidade.

Nisso temos a realidade tal como ela é: há antes o ser e não nada, há antes a atualidade e não a possibilidade, há antes o necessário e não o contingente, há antes o absoluto e não o relativo, há antes o eterno e não o temporal, há antes a verdade e não a falsidade, há antes a bondade e não a maldade. Essas realidades são posteriores no sentido de que não são por si mesmas, porque só fazem sentido com as outras. Assim, se não há verdade, não pode haver falsidade. Outro exemplo: nem tudo pode ser relativo, porque o relativo é aquilo que, para ser, depende de outro, e neste caso se tudo fosse relativo haveria uma série infinita de dependência, o que é impossível, pois jamais haveria o primeiro, ou nada existiria. Consequentemente, é necessário que haja o absoluto para haver o relativo, que haja o independente para haver os dependentes.

Como não há intercalação, sucessão, entre o ser e o nada absoluto, como se fosse possível haver agora ser e depois o nada, e assim sucessivamente, o que é absurdo, então não há ruptura no ser, e sim certa continuidade, certa perduração. Assim, o ser do Primeiro Princípio, do Ser que sempre houve, está de certo modo presente em tudo o mais, em todos os seus posteriores, é Onipresente, e de modo simultâneo é puramente Atual, Necessário, Absoluto, Eterno, Verdade e Bondade.

A Ele chamamos Deus, e como diz São Paulo Apóstolo: “Ele não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos…”.

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