
A verdade e a certeza são dois valores importantes da vida humana, da vida da consciência, o que inclui a religião, a filosofia e as ciências. São Boaventura diz: “Quem, pois, deseja contemplar as perfeições invisíveis de Deus referentes à unidade de sua essência, fixe primeiro sua atenção sobre o Ser mesmo. Verá que o Ser mesmo comporta em si tal absoluta certeza que é impossível concebê-lo como não existente”.
O Ser Absoluto, o Ser Puríssimo, exclui o puro nada, o puro não-ser. Se há o Ser Absoluto, não há o puro nada, e se há o nada, não há o Ser Absoluto. O Ser Absoluto é o Ser mesmo em sua presença total toda simultânea, e o puro nada seria o não-ser em sua ausência total desde sempre.
Como é certo que o Ser não tem nada do não-ser, ele não pode ser finito, limitado, porque o ser finito necessariamente possui limites, portanto alguma parte de não-ser. O Ser que exclui o puro nada, que não tem nada do não-ser, necessariamente é a plenitude do Ser de modo infinito e imutável, o que inclui a plenitude do poder, do conhecer, das perfeições, das bondades. Por exclui totalmente o não-ser, Ele é totalmente perfeito.
O não ser só faz sentido se há o ser, porque é sua negação. Não há o puro nada, o puro não-ser. Só há o não-ser parcial, o nada relativo, e este só faz sentido nos entes finitos, como o homem, que não é perfeitamente sábio nem onipotente. Como o nada não pode ser limitante de nada e como dele nada pode surgir, então há o Ser infinito, eterno e absoluto, que tudo contém e por nada é contido. E este Ser só pode ser Um. Por essência só pode haver Um ser assim, e todos os demais entes o são por participação, em graus de semelhança finitos.
Diz Santo Tomás de Aquino: “A vontade de Deus, como acima foi exposto, inclina-se para os seres diferentes dele, enquanto querendo e amando o seu ser eterno e a sua bondade divina, deseja difundir esta, na medida do possível, pela comunicação de semelhança. Com efeito, é isso que Deus quer nas coisas: que nelas esteja a semelhança da bondade divina. O bem de cada coisa é participar da bondade divina, pois qualquer bondade nada mais é que uma certa semelhança da bondade primeira.”
