
Parte importante do ensino religioso de São João Batista era: “fazei penitência porque está próximo o Reino dos Céus”. O Divino Cristo, em seu primeiro ensinamento público, logo após ser batizado por João e passar pelos dias de tentação no deserto, disse o mesmo: “Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo”. Tempos depois, o Mestre disse a seus discípulos:”Em vosso caminho, anunciai: O Reino dos Céus está próximo”. No caso, há continuidade e unidade, porque uma verdade importante deve ser continuamente ensinada, tempo após tempo, e em torno dela deve haver comunhão, pois o bem do homem está na verdade. Para o homem, não pode haver verdade mais importante a ser conhecida e obedecida do que a proximidade do Reino dos Céus. O Reino dos Céus é antes de tudo o próprio Deus, no qual há muitas moradas eternas, e como diz o salmista (15): “fora de vós não há felicidade para mim (…), há abundância de alegria junto de vós, e delícias eternas à vossa direita”. Cristo não veio abolir a lei nem os profetas. Assim, não aboliu os ensinamentos de São João Batista, o profeta precursor do verdadeiro Messias, mas lhe deu perfeito cumprimento, pois enquanto Filho de Deus, o Verbo Encarnado, é o Reino dos Céus na terra, a Vida Divina entre os homens.
Na linguagem comum, o próximo tem duplo significado: próximo no tempo e próximo no espaço. De certo modo, isto vale para a proximidade do Reino dos Céus. No tempo, é o Reino que chega para o homem, o que significa o Deus que vem. Deus vem de dois modos: com suprema Misericórdia, como o Cordeiro imolado, e com puríssima justiça, como justo juiz. Por exemplo, para os nossos tempos, o fim de uma era e não do mundo, virá como justo juiz, para mostrar o julgamento das nações, de uma geração “má e perversa”, que esgotou a taça dos pecados graves e recusou as bondades da Divina Misericórdia. São tempos de castigo, o que significa tempos de privações: a morte no lugar da vida, a doença no lugar da saúde, a guerra no lugar da paz, a penúria no lugar da fartura, o amargo no lugar do doçura, a tristeza no lugar da alegria, e assim por diante. É a justiça divina que vem como purificadora e renovadora de sua Igreja pisoteada pelo diabólico e da humanidade mais uma vez rebelde. E nisso não deixa de ter Misericórdia.
No espaço, é o Reino que está ao alcance do homem, tão próximo que pode pegar em suas mãos. Esse é Cristo e sua Igreja, a Igreja da Sagrada Eucaristia, que é o Deus-Homem entre os homem, presente e próximo diariamente. É o Reino dos Céus próximo da criatura humana, e recebê-lo após a alma lavada pela penitência sacramental é receber o Reino, nele habitar e por ele ser habitado, como ensina a verdadeira fé e como assim se mostrará de modo evidente no tempo da Providência.
