“Vinde e vede” – respondeu-lhes Ele

“No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos. E, avistando Jesus que ia passando, disse: “Eis o Cordeiro de Deus”. Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: “Que procurais?”. Disseram-lhe: “Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?”. – “Vinde e vede” – respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. (…) Filipe encontra Natanael e diz-lhe: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José”. Respondeu-lhe Natanael: “Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré?” Filipe retrucou: “Vem e vê”. Jesus vê Natanael, que lhe vem ao encontro, e diz: “Eis um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade”. Natanael pergunta-lhe: “Donde me conheces?” Respondeu Jesus: “Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas debaixo da figueira”. Falou-lhe Natanael: “Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel”. Jesus replicou-lhe: “Porque eu te disse que te vi debaixo da figueira, crês! Verás coisas maiores do que esta”. E ajuntou: “Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.” (Jo 1,35-51)

Aqui, há “vinde e vede” de Cristo para João e André e há o “vem e vede” de Filipe para Natanael. O “vem e vede” é um chamado para conhecer, uma convocação para a consciência, porque a visão, corresponde à consciência, como ato dela. No caso, o “vede” é mais do que a visão sensível, pois é também e principalmente a visão espiritual. Natanael viu e de imediato acreditou, e porque acreditou sinceramente lhe foi prometido ver mais, ver realidades ainda maiores: sobretudo ver o Filho de Deus, o Verbo Divino em sua glória e esplendor, a visão beatífica, a contemplação face a face. Foi prometido a Natanael que para ele se realizaria o que é dito no salmo 33: “provai e vede quão suave é o Senhor”.

Santo Tomás de Aquino diz: “1.Como para a visão da substância divina o intelecto criado é elevado por uma certa luz sobrenatural, como se depreende do exposto, não há intelecto criado de tal modo inferior, quanto à sua natureza, que não possa ser elevado essa visão (…). 3. Além disso, acima provou-se que o intelecto naturalmente deseja chegar à visão da substância divina. Ora, o desejo natural não pode ser em vão. Por conseguinte, qualquer intelecto criado pode chegar à visão da substância divina sem levar em consideração o grau de inferioridade natural. 4. Daí, ter o Senhor prometido aos homens a glória dos anjos, conforme de lê: ‘Serão como anjos de Deus nos céu’ (Mt 22,30). No apocalipse se oferece a mesma medida aos homens e ao anjo (Ap 21, 17)”.

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