
Cristo disse a Natanael: “eis um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade” (Jo 1,47). Cristo é a Verdade Encarnada e reconhece a verdade onde ela está presente, assim como vê a falsidade onde ela estiver. Como verdadeiro Deus, Ele ama a verdade sempre e em todas as coisas, pois cada verdade é como um raio de luz do Sol Divino, a Verdade de todas as verdades. E detesta a falsidade, totalmente incompatível com seu Ser Divino, do mesmo modo que o Sumo Bem detesta o mal, porque a falsidade está para a verdade assim como a maldade está para a bondade, enquanto contraditórios que se excluem. Esta é a ordem divina do ser, o verdadeiro cosmos, as coisas como elas são.
Se há o verdadeiro israelita, há o falso israelita. O verdadeiro é verdadeiro pelo que há nele de verdade e bondade da essência israelita, assim como o falso é falso pelo que há nele de falsidade e maldade como negação da essência. Como Cristo, em sua Unidade com o Pai e o Espírito Santo, é o Logos dos logos, a Verdade das verdades, a Bondade das Bondades, que tudo compreende, nada de positivo ou negativo lhe escapa. Um verdadeiro israelita ama a verdade e em tudo deseja que ela prevaleça, pois esse é o primeiro mandamento. Como era o caso de Natanael, a falsidade que nele não havia lhe permitiu acreditar de imediato em Cristo como Messias, o Rei de Israel, o Mestre, o Filho de Deus. É a verdade que é atraída pela Verdade, o verdadeiro atraído pelo verdadeiro, o semelhante que ama o semelhante.
Caso oposto foi o de certos judeus, nos quais havia culposamente falsidade e maldade. De modo culposo porque era para eles, se assim permanecessem, motivo de perdição. Assim, Cristo disse a certos judeus: “Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. Por isso, vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado” (Jo 8, 23-24). Em outra parte Ele disse: “Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas eu, porque vos digo a verdade, não me credes” (Jo 8, 43-45).
