
Em Atos dos Apóstolos (3,2-9) é dito: “Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo. Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola. Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: “Olha para nós”. Ele os olhou com atenção, esperando receber deles alguma coisa. Pedro, porém, disse: “Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho, eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!”. E, tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto, pôs-se de pé e andava. Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. Todo o povo o viu andar e louvar a Deus”.
Só pode dar aquele que tem e só pode receber aquele que não tem, do mesmo modo que só pode ensinar aquele que sabe e só pode aprender aquele que não sabe. Como ensina a Sagrada Escritura, Deus é o “Pai das luzes, fonte de conhecimento, de toda dádiva boa e de todo dom perfeito” (Tg 1,17), e assim nada pode receber nem aprender na imutabilidade de seu Ser Perfeitíssimo.
Em Atos, São Pedro é aquele que doa e o coxo é aquele que recebe, um é instrumento da Divina Misericórdia ante a miséria do outro. Esse é um dos modos de Deus agir em sua Vontade Onipotente, por meio de intermediários. As palavras de São Pedro só tiveram efeito porque Cristo lhe uma dignidade e poder apostólico, de fazer o mesmo que o Mestre havia feito. São Pedro não tinha ouro nem prata para o coxo, mas tinha algo maior e mais benéfico: as bondades de sua participação no Poder de Cristo, o Deus-Homem que concedeu a seus apóstolos o seu Espírito, a Suma Bondade, toda Onipotente.
Santo Tomás diz: “Quem faz uma coisa para um fim, dela se serve para este fim. Ora, acima foi demonstrado que todas as coisas que de algum modo têm o ser são feitas por Deus, e Deus faz todas elas por causa do fim que se identifica com o próprio Deus. Por isso, Deus usa de todas as coisas dirigindo-as para o fim, e nisto consiste justamente governar. Logo, Deus, por sua providência, é o governador de todas as coisas”. (“Suma Contra os Gentios”)
