
“Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo. Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola. Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: “Olha para nós”. Ele os olhou com atenção, esperando receber deles alguma coisa. Pedro, porém, disse: “Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho, eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!”. E, tomando-o pela mão direita, levantou-o.” (Ato 3,2-9).
O coxo, após ser curado, “entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus”. Mais importante que o efeito no corpo é o efeito na alma, porque nessa vida o corpo curado ainda perecerá pela morte, mas a alma purificada, que permanece no verdadeiro louvor e gratidão a Deus, cumprindo seus mandamentos, não perecerá pela morte eterna, que é o mesmo que a tristeza sem fim.
Mais do que o ouro e a prata, que perecem, foi comunicado ao coxo, por meio de São Pedro, uma vida nova, do corpo e do espírito, porque é próprio de Deus, em sua generosidade sem limites para com a criatura espiritual, conceder um bem para que ela receba outro maior. Como o espiritual é superior ao corporal e o eterno superior ao temporário, Deus concede bens de uns para conceder os bens superiores dos outros. O mesmo pode ser dito com relação às privações, quer dizer, Deus priva de certos bens para que a pessoa receba no devido tempo bens superiores, nos quais será verdadeira e duradouramente feliz.
Para o homem, sua criatura tanto amada, Deus quer sempre o bom e o melhor como fim, e por isso pode permitir como meio o relativamente mau e pior, sempre na Pureza e Suma Bondade de seu Ser glorioso. Exemplo disso é a história de José do Egito, que tempos depois de ter sido vendido como escravo pelos próprios irmãos acabou se tornando o homem mais poderoso do Egito, depois do faraó, e com esse poder pôde ajudar seu povo na penúria. Assim, no salmo 70 é dito: “Vós me fizestes passar por numerosas e amargas tribulações para, de novo, me fazer viver e dos abismos da terra novamente me tirar. Aumentai minha grandeza, e de novo consolai-me”.
Isso também mostra que Deus, por sua providência, é o governador de todas as coisas.
