
O primeiro mandamento – amar a Deus sobre todas as coisas – diz: “Escuta, Israel: o Senhor nosso Deus é o único” . Contra este mandamento está o politeísmo, que afirma haver vários deuses. Em sentido elevadíssimo, conforme a razão, só pode haver um Deus verdadeiro, apenas um Ser infinito, totalmente perfeito, onipotente, primeiro principio e fim último de todas as coisas, Governante do universo.
“Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, dessa casa da escravidão. Não terás outros deuses perante Mim” (Ex 20). Ter outros “deuses” diante do único Deus significa estar privado da verdade, com as bondades que ela contém, e ser como que escravo da falsidade, com os males que ela traz consigo. Por isso, o primeiro mandamento também significa a vontade de que em tudo e sempre a verdade prevaleça, porque Deus é a Verdade. Cristo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
O primeiro mandamento exige a humildade. Santa Teresa ensina que humildade é caminhar na verdade. Quer dizer, é caminhar na obediência à verdade, submetido a ela livremente. Na humildade há duas verdades importantes para o homem. Nela primeiro é reconhecida a glória de Deus e depois o nada do homem. É glorioso o Deus que é a plenitude do Ser, Bondade Onipotente totalmente perfeita de modo imutável desde toda a eternidade. Ele, por livre vontade de sua Bondade, decide criar o homem. Sem o Criador Onipotente, a criatura humana jamais existiria nem permaneceria na existência. Ela é totalmente dependente, por si mesmo nada é, nada possui de bom que não tenha recebido do Deus Misericordioso. “Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, eterna é a sua misericórdia!”.
Modelo perfeito de humildade é Maria Santíssima, que disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1, 38). Oposto disso é o diabo, que disse: “não servirei”. A Serva do Senhor, a mais humildade das criaturas, foi a mais elevada, Rainha Mãe ao lado de Cristo Rei, enquanto o anjo soberbo é o que mais decaiu, até o mais fundo do inferno. Entre a Mulher e a serpente, e suas descendências, só pode haver inimizade, pois a verdade a falsidade, a virtude e o vício, o Reino dos Céus e o império infernal, são inimigos mortais.
