Em Provérbios é dito: “Aquele que ama a correção ama a ciência, mas o que detesta a correção é insensato” (12,1).
Amar a ciência é o mesmo que amar a verdade. Quem ama a Deus ama a ciência divina, porque em Deus o Ser e a Ciência se identificam, em sua única natureza divina. O primeiro mandamento, a lei primeira, de amar a Deus sobre todas as coisas, inclui amar a Verdade sobre todas as coisas, jamais preteri-la, como se valesse menos do que vale. Quem ama a verdade no grau em que ela merece, deseja que ela prevaleça em tudo e sempre. Essa é a ordem divina do ser, a ordem correta das coisas.
O incorreto supõe o correto, do mesmo modo que o mal supõe o bem, o falso o verdadeiro e o inferior o superior. A correção é sempre no sentido do verdadeiro, do bem e do melhor, pelo menos naquilo assim considerado, mesmo nos casos de engano, a exemplo do que diz o profeta Isaías: “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce!” (5,20).
Quem ama a correção ama a ciência, porque deseja que ela prevaleça em sua própria alma, porque na correção é movido do mal e pior, no caso a falsidade, para o bem e o melhor, no caso a verdade. Isto corresponde à Vontade Divina, que sempre quer o bem e o melhor como fim, dado que Ele é o Sumo Bem e em tudo quer e distribui sua Bondade, como participação, em grau de semelhança finito.
Os profetas são homens da ciência divina, que agem como instrumentos de correção, para que aqueles que estão no mau caminho passem da falsidade e maldade, que não pertencem a Deus, para a verdade e bondade, próprias de Deus. Aqueles que aceitam a divina correção são elevados no ser, e abrem as portas para a Misericórdia Divina, fonte de todos os bens, e aqueles que não a aceitam permanecem na miséria, sem crescer em direção ao Céu, ou decaindo cada vez mais em direção ao abismo. Assim, quem detesta a correção é um insensato e colhe os frutos da insensatez, porque de uma árvore má não pode nascer bons frutos.
