
“(…) A conversão e a santificação de uma alma foi, é e permanecerá sempre obra da graça divina. Sem a graça de Deus não se pode fazer nada neste campo, nem com a palavra viva, nem com a imprensa, nem com nenhum outro meio exterior. A graça para nós mesmos e para os demais, ao contrário, é obtida com a oração humilde, com as mortificações e com a fidelidade no cumprimento de nossos deveres ordinários, incluindo os mais simples.
Quanto mais uma alma estiver próxima de Deus, tanto mais agradável lhe é; quanto mais ela O amar e for amada por Ele, tanto mais eficazmente poderá ajudar também os outros a alcançar a graça divina e muito mais fácil e plenamente a sua oração será ouvida. Em consequência, sendo a Imaculada sem mancha, toda de Deus, é cheia de graça e Medianeira de todas as graças para as almas. E nós, conhecendo a nossa debilidade, as frequentes quedas, o distanciamento de Deus, dirigimo-nos a Ela exatamente por isso: para obter todas as graças para nós mesmos e para os demais…
Para facilitar-nos a atividade dirigida para o bem das almas, Deus permite pequenas cruzes de vários tipos, dependendo ou não da vontade alheia, que procedem ou não de uma vontade reta. Este é um campo imenso de inumeráveis mananciais de graça que deve ser aproveitado. São fontes de méritos, entre os quais, os desgostos provocados pelas outras pessoas. Com que santa esperança, nestes casos, podemos repetir cada vez no “Pai Nosso”: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6,21). Este oração foi-nos ensinada pelo próprio Jesus. Por isso, é suficiente o perdão completo das ofensas que nos fizeram para obter o direito ao perdão pelas ofensas que fizemos a Deus. Que desgraça, então, se não tivéssemos nada a perdoar e que sorte quando num só dia temos muitas e muitas graves coisas a perdoar. Para sermos sinceros, a natureza se horroriza diante do sofrimento e da humilhação, porém, à luz da fé, como são necessários para purificar a nossa alma! E, por isso, como devemos ser agradecidos! Quantos contribuem para nos aproximarmos mais a Deus e, por ele, a uma maior eficácia da oração, a uma ação missionária mais eficaz!
Além disso, o amor mútuo não consiste no fato de ninguém nos causas desgostos, mas em nos esforçarmos por não causa-los aos outros, em nos acostumarmos a perdoar rápida e completamente tudo aquilo que nos ofende. É nesta mútua tolerância que consiste a essência do amor recíproco. Escreve Santa Teresa: “Entendi quão imperfeito era o meu amor pelas minhas irmãs; oh, Jesus não as amava assim! Entendo agora que o amor autêntico consiste em suportar os defeitos e os erros do nosso próximo, em não se admirar de suas imperfeições, mas em deixar-se edificar por qualquer mínimo ato de virtude; mas sobretudo entendi que o amor não deve ficar fechado no fundo do coração, já que ‘ninguém acende uma lâmpada e a põe em lugar oculto ou debaixo da mesa, mas sobre um candeeiro, para alumiar os que entram em casa (Lc 11,33). (…)” (São Maximiliano Kolbe, em “Escritos de São Maximiliano Kolbe”, pág.1193-1194)
