
Falar de um ser é inclui falar de sua razão de ser, que significa pelo menos duas coisas: a razão de ser algo e não um puro nada (sua presença ou existência) e a razão de ser como é e não de outra forma, isto é, a razão de seu modo de ser, de seu logos, de sua essência. Pelo princípio de razão suficiente, um dos primeiros princípios do ser, que vale como tal para toda a realidade, todo ser possui necessariamente uma razão suficiente para ser o que é, e o que não é, pois nada pode ser sem sua razão suficiente, do contrário seria sem razão para ser, o que é sem sentido, uma contradição, como existir sem existir.
Por exemplo, uma guerra, por ser o que é, enquanto efeito, exige uma causa, que lhe traz a existência, do contrário jamais poderia existir. Para existir ela exige uma razão suficiente, que não pode ser qualquer coisa, porque nem todo ser pode por si mesmo causar uma guerra. O relinchado de um cavalo pode causar um susto em alguém, mas não pode de imediato causar uma guerra, pois a guerra exige um ser consciente, com vontade e capaz de ação, que decida pela guerra, o homem, por exemplo.
Consideradas pelo que são, como realidades finitas, todas as coisas exigem um Ser com os atributos de Deus como razão suficiente para o seu ser-existir. Assim, Deus é o Ser que tudo sustenta, a Luz que tudo ilumina, sempre na mais pura Bondade, com exclusão de toda maldade.
Inclusive as guerras podem ser atribuídas à Vontade divina, que as permite, por exemplo, como castigo purificador para tempos de grandes perversões, com abundância de pecados e maldades por parte dos homens. Como profecia, no livro do Profeta Jeremias está escrito: “Fugi para longe do recinto da Babilônia; que cada um salve a vida e não pereça nos seus crimes, pois chegado é o tempo da vingança do Senhor que lhe vai dar o que mereceu. Era a Babilônia na mão do Senhor qual taça de ouro que embriagava toda a terra; bebiam as nações o seu vinho e enlouqueciam” (51,6-7). E Santo Tomás de Aquino diz: “(…) Deus é mostrado como ótimo pelo fato de que saber fazer uso não só dos bons, mas também dos maus”.
No dia da Justiça Divina o único refúgio é a Misericórdia Divina, sempre oferecida abundatemente.
