
Pelo seu valor como palavra de Deus em linguagem humana, quando corretamente compreendida, a Sagrada Escritura deve ser considerada de dois modos: (I) tudo o que ela diz é verdade e (II) nada que se opõe a ela pode ser verdadeiro, pois a verdade não contradiz a verdade.
Como a Palavra de Deus é antes de tudo o próprio Deus, tal como ensina São João Evangelista, quando fala do Verbo de Deus, a Sagrada Escritura não contém toda a Palavra de Deus, o que seria impossível, porque ela participa dos limites da linguagem humana e o finito não pode naturalmente conter o infinito.
Enquanto algo feito pela Verdade para a verdade, a Sagrada Escritura deve ser corretamente entendida, para que a pessoa possua as bondades que ela contém, como as verdades reveladas, caminho de salvação eterna. Deve ser entendida em espírito e verdade, e não pela letra que mata. Em “espírito e verdade” significa o Espírito da Verdade que ilumina a consciência com suas luzes divinas, os verdadeiros significados, e a “letra que mata” significa, por exemplo, as vestes literárias da linguagem humana, engano para os “sábios e entendidos”. Que nem todos compreendem as Escrituras e nem todos recebem o espírito de compreensão é algo que ela ensina em várias partes.
A ideia protestante de “somente a escritura” é uma doutrina humana não ensinada pelas letras divinas, um engano que engana, uma perversão que perverte, pois, pelos seus frutos, significa a Palavra da Verdade misturada com a falsidade, algo contrário a ideia divina sobre a Escritura, feita pela Verdade para a verdade. A Divina Escritura certamente é importante como critério da verdadeira fé, porém em nenhuma parte ensina a si mesma como exclusiva, pois não exclui a Tradição nem a autoridade da Igreja, das quais é como filha, dado que nasce delas.
O verdadeiro cristianismo é católico, conforme a totalidade, e o protestantismo é divisão que multiplica a divisão, e assim faz da religião de Cristo como que fragmentos da verdade revelada misturados com enganos. Quando o Salvador diz que é “o caminho, a verdade e a vida”, isto significa que a puríssima verdade é o caminho e que o caminho é verdadeiro. São João Batista, o precursor do Messias, disse de si mesmo: “Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías” (Jo 1,23).
