
Em sua Carta aos Romanos (1), São Paulo diz: “8.Primeiramente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque em todo o mundo é preconizada a vossa fé. (…) 11.Desejo ardentemente ver-vos, a fim de comunicar-vos alguma graça espiritual, com que sejais confirmados, 12.ou melhor, para me encorajar juntamente convosco naquela vossa e minha fé que nos é comum”.
Quem agradece sempre agradece por algo. Não é possível um agradecimento sem motivo, e nele aquilo pelo qual se agradece é reconhecido como algo bom. Sem bondade não há motivo para agradecer e sem a consciência da bondade não é possível o agradecimento.
Por meio de Cristo, o Caminho, São Paulo agradece a Deus pela fé exemplar dos romanos, recomendada em todo o mundo. Ele agradece a Deus porque isso é obra divina. Como motivo para agradecer a Deus, nisso há pelo menos duas bondades.
Primeiro, a bondade da verdadeira fé. A verdadeira fé inclui duas coisas: uma é crer no que é verdadeiro, pois, se ela é concedida por Deus, não pode conter nada falso, dado que Deus é a Verdade Puríssima; a outra é ser uma fé viva pelas obras, que são provas de que alguém a possui efetivamente. Isto corresponde ao que São Tiago Apóstolo ensina em sua Carta (2,17) e ao que Cristo ensina quando diz que aqueles que o amam cumprem seus mandamentos, pois só pode amar Cristo quem o conhece e a fé verdadeira é um modo de conhecê-lo, que dará lugar à visão imediata, nessa vida terrena para alguns, por graça especial como na Transfiguração, e na vida futura para todos os que entram no Céu.
Segundo, a bondade da verdadeira fé ser recomendada em “todo o mundo”, como algo exemplar a ser imitado. Assim deve ser, porque, pela Sabedoria divina, deve haver unidade na verdadeira fé, que é antes de tudo unidade na verdade e unidade na obediência a Cristo. Por isso, São Paulo diz “naquela vossa e minha fé que nos é comum”. Comunhão é o um no múltiplo, unidade na pluralidade. Por exemplo, como verdades importantes do Evangelho, se Cristo é Deus, todos devem crer que é Deus, e se enquanto homem Ele ressuscitou, todos devem crer que ressuscitou. O contrário disso é falsidade, uma fé falsa, que não pertence ao caminho da salvação. Por essa e por outras, pela lei divina, que corresponde ao Logos Divino, os homens devem aceitar a verdadeira fé. E, como é próprio de Deus, tudo isso é dado ao homem como bens que conduzem ao Supremo Bem, que é a participação na felicidade divina pelo conhecimento e o amor, pela vivência plenamente consciente de um novo modo de ser, a vida eterna.
