
Em Provérbios é dito: “Oxalá a bondade e fidelidade não se afastem de ti” (3,3). Os ensinamentos e preceitos de Deus são para a felicidade do homem. Deus é o Sumo Bem e jamais quer o mal, que lhe é absolutamente impossível. Deus é amor, e é próprio do amor desejar o bem do amado. O homem é criatura, portanto querida por Deus, e assim amada por Deus. Todas as criaturas têm o ser em Deus, são conhecidas em Deus e são amadas em Deus, porque participam do Ser que em si é Deus, e são como que bondade da Bondade Divina. Deus ama a si mesmo como Sumo Bem, o mais amável, e ama tudo aquilo que participa de si, por sua concessão. Como próprio do ser humano, Deus criou o homem para ser para a felicidade, para uma existência feliz.
Deus é o Governante dos cosmos, tudo governa com sua Providência, com sua Bondade Onipotente, o que inclui o homem. Ele governa cada coisa conforme seu modo de ser. O homem é criatura racional, de modo que é dirigido por Deus enquanto tal, para atingir seu fim, que é felicidade pela união com Deus. Como próprio do ser humano, Deus criou o homem para ser uma existência feliz duradoura.
Santo Tomás diz: “É evidente que o homem se une a Deus principalmente pelo amor. Há no homem duas coisas pelas quais ele pode se unir a Deus – a inteligência e a vontade, pois, pelas partes inferiores da alma, ela não pode se unir a Deus, mas só às coisas inferiores”.
O homem deve aceitar confiantemente o governo de Deus, que é para ele com um pai amoroso que, pelo seu perfeito amor, quer e age para o bem de seu filho. Que Deus ama o homem, a própria criação o diz, e ainda mais o diz a Salvação em Cristo pela paixão e morte na Cruz, como vítima inocente que sofre livremente para a bondade dos maus que se comportam como seus inimigos, cheios de ofensas e oposições. Assim, em Provérbios também é dito: “Que teu coração deposite toda confiança no Senhor” (3,5).
