
São Paulo Apóstolo ensina: “A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade”. (Rm 1,18).
A linguagem da Escritura contém modos de dizer. Quando se fala da ira de Deus, isto não deve ser entendido em sentido humano, como o homem que sente ira, e sim deve ser entendido como a justiça divina e seus efeitos nas criaturas, ante a maldade dos malvados. Em certo sentido, seria dizer: dignas de ira são as más obras dos homens, e pela ira merecem punição. No caso, “a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade”, os fazem merecedores de castigo perante a justiça divina, sempre puríssima. Como Deus é a Verdade Puríssima, para Ele a verdade tem sempre a máxima importância, assim como a bondade, porque ele também é Bondade Puríssima. Deus é o Deus da razão, da ordem, do cosmos, que tudo faz com “medida, quantidade e peso” (Sb 11, 20).
A este respeito, Santo Tomás ensina: “Lê-se ainda que é costume da Sagrada Escritura transferir analogicamente para Deus paixões da alma humana. Assim, é dito no Salmo: ‘Deus ficou muito irado com o seu povo (Sl 105,40). Deus é dito irado por causa da semelhança do efeito. Com efeito, Deus pune, o que também fazem os irados. Donde, logo a seguir é dito: ‘Entregou-os as mãos dos povos’ (Sl 105,41). Por isso, diz-se que o Espírito Santo se entristece devido à semelhança do efeito, pois abandona os pecadores, como os entristecidos abandonam os que os entristecem”.
Pela ordem divina do ser, a verdade não deve ser aprisionada e sim brilhar como luz para a mente das criaturas espirituais. Se a piedade significa a religião, então a impiedade é a falsidade contra a verdadeira religião, consequentemente contra o verdadeiro Deus. Quando Deus Criador, o Primeiro Principio e Sumo Bem, não é reconhecido mas negado, há impiedade, a verdade é aprisionada.
São Maximiliano Kolbe diz: “Não é lícito ensinar uma coisa que não é verdadeira. Se o paraíso e o inferno não existem, todos devem sabê-lo; mas se existem, igualmente todos os homens devem sabê-lo”.
