A pedagogia divina: do sensível ao invisível

Eis porque a restauração (medicina) que em sua bondade inefável a divina Providência propõe à alma é também mui bela em seus graus e ordem. Deus emprega dois meios: a autoridade e a razão. A autoridade exige a fé e prepara o homem para a reflexão. A razão conduz à compreensão e ao conhecimento. A autoridade, porém, jamais caminha totalmente desprovida da razão, ao considerar Aquele em que se deve crer. Certamente, a suma autoridade será a verdade conhecida com evidência. Mas como nós estamos imersos no temporal – cujo amor nos impede de conhecer o eterno – o melhor remédio – não por sua natureza e excelência – isto é, o tratamento mais adequado, será também um temporal, que convide à salvação, não os sábios, mas os que creem.

É no lugar onde alguém caiu que é preciso que ele se apoie para se reerguer. Portanto, é precisamente sobre as formas carnais que nos detêm, que encontramos apoio para conhecer aquele outras formas que a carne não manifesta. Denomino formas carnais aquelas que se podem perceber por meio do corpo, isto é: olhos, ouvidos e outros sentidos corporais. Essas formas carnais ou corporais que retêm o nosso amor são necessárias na infância; na adolescência não muito; e em seguida, com o progresso da idade, não serão mais necessárias” (Santo Agostinho, em “A Verdadeira Religião”).

Deixe um comentário