“Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim”

“O Ser não pode ter surgido subitamente, pois sempre houve alguma coisa” (Mário Ferreira dos Santos, filósofo brasileiro).

Do nada absoluto nenhuma coisa pode surgir, porque o nada absoluto significa necessariamente a ausência total de qualquer coisa, inclusive de qualquer poder e possibilidade. Por isso, o ser que há, em sua inegável presença, não pode ter surgido do nada, caso contrário o nada absoluto teria em si uma possibilidade, algum modo de ser, o que é impossível, uma contradição, um absurdo, pela noção mesma de nada total.

E de si mesmo o ser não pode ter surgido, porque isto significaria existir antes de existir, dado que a possibilidade exige algo existente para ser verdadeira possibilidade, de modo que o ser que surge de si mesmo, sem antes existir, é impossível, um absurdo.

Pelas impossibilidades consideradas, há apenas uma afirmação razoável e inevitável: dado que alguma coisa há, necessariamente sempre houve alguma coisa, sempre houve o ser. Por isso, pode-se dizer com razão que o ser é sem princípio, é imprincipiado, e pela impossibilidade do nada absoluto também é sem fim.

Assim, o Ser em si não tem princípio nem fim ao mesmo tempo em que é o Primeiro principio e o Fim último de todas as coisas. Neste sentido, o Ser em si, o Ser Supremo, o Ser Eterno, é o próprio Deus.

No livro do Apocalipse, de São João Apóstolo, é dito: “Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim” (22, 12-13).

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