
O ceticismo absoluto é uma negação do conhecimento e da verdade, uma negação do saber verdadeiro para o homem. Porém, ele é falso, por pelo menos três razões. Primeiro, é contraditório em si mesmo, pois apresenta como saber que não é possível saber, que é certo que não há certeza. Segundo, é contraditório com aquilo que ele mesmo supõe necessariamente: saber o que é o saber, saber o que é o impossível e saber o que o homem não pode. Sem isso jamais haveria ceticismo. Terceiro, é contraditório com verdades inegáveis, como o “alguma coisa há e o nada absoluto não há”, porque ao negá-lo prova que alguma coisa há.
Assim, pode-se dizer que o ceticismo possui valor relativo, quando é amigo da verdade e não quando é inimigo da verdade, por negá-la, por negar ou ofuscar aquilo que é um bem para o homem, para sua alma.
A consciência vive do ser, no sentido em que, se não há o ser, não pode haver consciência. Em sua relação com o ser, para a consciência humana há limites, possibilidades positivas e possibilidades negativas, como o engano. Nas possibilidades positivas, há verdades eternas, certezas absolutas, realidades inegáveis. Exemplo disso é a impossibilidade do nada absoluto e a presença do ser necessário ou a presença necessária do ser, o que é evidente. E como é certo que uma verdade e uma certeza jamais são a única verdade e a única certeza, essa evidência inegável, vida para a mente humana que vive do ser, da verdade e da certeza, é rica de outra mais. Assim, por exemplo, o ser necessário exigido pela impossibilidade do nada absoluto é simultaneamente eterno, a plenitude do ser, totalmente perfeito, porque não pode ter nada de não ser.
Na Escritura é dito: “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como que as primícias das suas criaturas”. (Tg 1, 17-18). E é dito: “Sede bendito no templo de vossa glória santa, digno do mais alto louvor e de eterna glória! Sede bendito por penetrardes com o olhar os abismos, e por estardes sentado sobre os querubins, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação! Sede bendito sobre vosso régio trono, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação! Sede bendito no firmamento dos céus, digno do mais alto louvor e de eterna glória! Obras do Senhor, bendizei todas o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!” (Daniel 3, 53-57)
