
Na Sagrada Escritura é dito: “Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas. Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas. Disse aos que vendiam as pombas: “Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes”. Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome (Sl 68,10)”. (João 2, 13-17)
Como novo Elias, Cristo é aquele que se consome de zelo pelo Senhor, pela casa de seu Pai Eterno. É um zelo pela pureza da verdadeira religião, contra as perversões da malícia das criaturas espirituais, daqueles que a pervertem. O templo, lugar sagrado dedicado a Deus, é lugar de oração, para o devido culto divino, à devida adoração a Deus. Nada deve substitui-lo ou ofuscá-lo. Torná-lo uma casa de cambistas é impureza e perversão.
Elias excluiu do povo de Israel os sacerdotes de Baal e sua idolatria e Cristo Jesus exclui da casa de seu Pai os cambistas do templo e seus ídolos. Excluíram porque a verdadeira religião, que agrada a Deus, é excludente, porque o puro não se mistura com o impuro, nem o bem com o mal e a verdade com a falsidade.
O Divino Jesus fez um chicote de cordas. O chicote é um instrumento para punição corporal. Assim, a ação de Cristo significa a justiça divina que purifica o templo, pela expulsão dos homens carnais e suas ídolos, presentes no templo sagrado como manchas e perversões do ser essencial do templo enquanto ideia divina. Cristo é o Verbo Encarnado, o Logos Divino que se fez homem, que entende o significado verdadeiro de todas as coisas, que compreende a essência e a bondade de cada ser, porque tudo foi feito e permanece no ser por meio dele.
