
Exemplo de verdade inegável é que não é possível querer o que não se conhece.
Querer é sempre querer alguma coisa, porque do contrário seria querer nada, o que é o mesmo que não querer. Sem o ser não pode haver o querer. Quando não conheço algo, ela não existe para mim, ante minha consciência, de modo que é para mim um nada de consciência. Se é certo que sem o ser não pode haver o querer, também é certo que sem a consciência não pode haver o querer, porque o querer necessariamente é querer alguma coisa que se apresenta ante minha consciência. Assim, há um duplo nada que impede o querer: o nada de ser em si e o nada de ser na consciência. E se o querer naturalmente tende para o bem, se “não pertence à vontade querer senão o bem conhecido”, então há um triplo nada de ser ou um triplo não-ser que impede o querer em ato: o não ser em si, o não ser na consciência e o não ser bom – realmente ou aparentemente.
Santo Tomás de Aquino diz: “(…) Cada coisa relaciona-se com a bondade, como relaciona-se com o ser. Ora, as coisas impossíveis são aquelas que não podem ser. Logo, não podem ser boas. Por conseguinte, não podem ser queridas por Deus, que não quer senão aquilo que é ou que pode ser bom”.
“Disse-lhes Jesus: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra”. (João 4, 34). “Então disse Maria: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lucas 1, 38).
