
No tema da unidade e da concórdia, há quem defenda uma fraternidade universal de religiões e há quem defenda uma comunhão entre as diversas denominações ditas cristãs. Porém, a verdadeira unidade, que imita a unidade divina, que corresponde ao Logos Divino, jamais está acima da verdade, porque é unidade na verdade. Uma unidade acima da verdade é uma falsa unidade, uma unidade exterior, pura aparência que esconde sob vestes enganosas o que é falsidade e maldade, conforme a Sabedoria Divina. Cristo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”; e disse: “É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz”. Isso significa que a questão de qual é a religião verdadeira é de máxima importância.
A verdade e a certeza são dois valores importantes da vida humana, da vida da consciência, o que inclui a filosofia e as ciências. Assim como a razão filosófica e a razão científica exigem a verdade e a certeza, porque sem elas as duas perdem o sentido, a razão religiosa exige o dogma. Enquanto exigência de verdade e certeza, de certo modo o dogma é a razão na verdadeira religião. Uma posição religiosa que afirma uma aversão ao dogma, no sentido aqui considerado, é contrária à razão, prefere o mito ao logos. Como todo relativismo, o “relativismo dogmático” é um discurso sem inteligência.
Com relação à fé católica, o protestantismo e seus filhos se caracterizam pelas diferenças, que no caso são diferenças dogmáticas decisivas. Como os dogmas católicos são verdades imutáveis da Revelação Divina, parte essencial da verdadeira religião, é impossível qualquer conciliação com o protestantismo, sem sacrificar aos ídolos os dogmas da fé, como a presença substancial de Cristo na Sagrada Eucaristia. O mesmo vale com relação demais religiões consideradas como tais em certo sentido. Na Escritura, São Paulo diz: “Não vos prendais ao mesmo jugo com os infiéis. Que união pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunidade entre a luz e as trevas? Que compatibilidade pode haver entre Cristo e Belial? Ou que acordo entre o fiel e o infiel? Como conciliar o Templo de Deus e os ídolos?” (2Cor 6,14-16).
