
“- Como foi o acontecido com aquele rapaz de Lacedônia?
Era um libertino desmiolado, o escândalo da cidadezinha. O senhor bispo, em Lacedônia, já tinha esgotado sua reserva de paciência com ele, e o moço sempre aprontando das suas.
De certa feita, a coisa passou dos limites. As autoridades e o bispo (como era de costume, então) tomaram uma atitude drástica: obrigaram-no a fazer retiro espiritual, em Deliceto, pregado pelos padres redentoristas.
– E o rapaz aceitou?
Que remédio!? Era lei naqueles tempos. Se não aceitasse ver-se-ia numa bruta enrascada. Por isso, foi mais por pura formalidade. “Uma caiação externa” como ele mesmo dizia. A jogada era enganar temporariamente as autoridades para começar tão logo aparecessem as oportunidades.
– Era o que ele calculava, mas sem contar que em Deliceto morava um santo.
Ouviu as pregações, confessou-se sem qualquer arrependimento e sem a mínima vontade de mudar de vida.
– Pelo visto, a sinceridade não era uma das suas características…
Na hora da missa para os retirantes, aproximou-se com os outros para receber também a santa comunhão. Para felicidade sua, Irmão Geraldo rondava por ali, e barrou-lhe os passos:
“Aonde vai?”
E o rapaz entre jovial e divertido:
“Ora, meu irmão!… vou comungar… o retiro não é para isso? A gente ouve os bons conselhos dos padres… comunga com fervor…”
Geraldo encara-o com olhar fuzilante:
“Comungar, meu amigo?! O senhor tem coragem disso?! Nessa morada tão cheia de imundícies querer hospedar Deus!… Não… sua consciência está muito suja… mais suja que debaixo do poleiro das galinhas!… É preciso lavar sua consciência… os pecados que escondeu na confissão. Pense na sua consciência! Vá se confessar primeiro, confessar-se bem, confessar-se com sinceridade de arrependimento e propósito! Deus é Pai incomparavelmente bom, mas é também incomparavelmente justo. Não se esqueça disso! As consequências podem ser terríveis para o senhor. Não se brinca com o Amor de quem morreu pelo senhor. Confesse-se bem, senão a terra vai se abrir e o engolirá, pense nisso, hein!”
– Convenhamos, foi um murro na cara do moço! Por essa é que o nosso jovem não esperava.
Palavras caridosas e, ao mesmo tempo, sérias e severas. Convenhamos, pois não?… E o que é mais sério, proferidas por um santo que as vivia na fé. Tinham de surtir bom efeito.”
(Do livro “São Geraldo Magela”, páginas 119-120)
Não maltrate a Cristo: não receba a Eucaristia na imundície dos pecados graves não confessados e sem o sincero arrependimento
