
A autoridade da Sagrada Escritura depende da autoridade da Igreja, que definiu os livros sagrados que a compõem. Neste sentido, Santo Agostinho disse: “Eu não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja Católica”. Em que parte a Escritura diz quais livros são os livros que devem fazer parte dela? Em nenhuma parte. E como sabemos quais são? Pela vida da Igreja, sua tradição e autoridade magisterial, dado por Cristo. A Igreja é “mãe e mestra”, “coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15) também a respeito das Escrituras.
O “sola scriptura” do protestantismo depende, entre outras coisas, de saber quais livros são sagrados. Porém, a única de fonte de fé, segundo o protestantismo, não diz quais são todos os livros que deveriam compor as Escrituras como obrigatórios. O “somente a escritura” não é confirmado pela Escritura, mas é uma perversão dela, que não pertence à Sabedoria Divina.
A Escritura é parte de uma realidade mais ampla, a Revelação, e não contém toda a verdade da Divina Revelação. Ela é palavra de Deus em linguagem humana, porém a mera presença da palavra escrita ainda não é a Revelação, porque se assim não fosse não haveria divergências importantes quanto ao sentido do que foi dito. A Sagrada Escritura foi feito por Deus para ser entendida em seu verdadeiro conteúdo, vivo e vivificante, enquanto palavra do Senhor que são “Espírito e vida”, palavras de “vida eterna”. Assim, de nada vale mencionar trechos da Escritura se não há a inteligência, o entendimento dos sentidos em que ela deve ser entendida, como sentidos queridos por Deus. É necessário ir além das vestes literárias humanas para alcançar a palavra divina. Porém, sem o auxílio do Espírito Santo isso não é possível, pois o Espírito da Verdade é aquele que fala e diz o sentido do que falou, o comunicador e o interprete.
Deus Pai ensina a Santa Catarina de Sena: “Como a inteligência é anterior à Escritura, é dela que provém a sabedoria necessária para sua compreensão. Foi por tal modo que os santos profetas entenderam e falaram sobre a encarnação e morte de meu Filho; que os apóstolos foram sobrenaturalmente iluminados com a vinda do Espírito Santo em Pentecostes; que os evangelistas, doutores, confessores virgens e mártires acolheram brilhante luz. A seu modo, cada um deles a recebeu de acordo com as necessidades da salvação pessoal e dos outros -, e da interpretação das Escrituras os doutores esclareceram a mensagem de Cristo pela sabedoria; os apóstolos, pela pregação; os evangelistas, escrevendo-a os mártires, testemunhando, com seu sangue, a luz da fé e riqueza da paixão de Cristo; as virgens, obedecendo. Pela obediência, amor e pureza, estas últimas revelaram a perfeita hu mildade do meu Filho, que por obediência correu (Mc 10,32 para a terrível morte na cruz.” (O Diálogo)
