“Sem o conhecimento de nós mesmos e sem o conhecimento da presença de Deus em nós, jamais atingiremos tão grande felicidade”

Na Escritura é dito: “Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: “Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?”. Disse-lhe Jesus: “Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos” (Mt 19, 16-17).

A este respeito, São Boaventura diz: “O Senhor põe primeiro o motivo depois a ação por meio da qual podemos alcançar o devido fim”. O fim é a vida, mas não qualquer vida, e sim um modo de vida superior, que não contém os males da vida presente e contém bens que não há na vida presente. Essa é vida eterna, participação na vida divina, um modo de vida cheio da plenitude de Deus, que por essência é a felicidade, porque Ele é a plenitude da Bondade, sem a qual não é possível a felicidade para aqueles capazes de possui-la. Santo Tomás diz que “a felicidade é o fim dos atos humanos”, “a felicidade é o fim da espécie humana, pois todos os homens naturalmente a desejam; por isso, a felicidade é um bem comum, possível de ser alcançado por todos os homens, a não ser que alguns fiquem privados por algum impedimento”.

Na Escritura, Cristo diz: “Eu sou a vida” (Jo 14,6). E São João Apóstolo, em um de suas cartas, diz: “Este é o Deus verdadeiro que é a vida eterna” (1Jo 5,20). Santa Catarina de Sena, em uma de suas cartas, aconselha uma mulher insatisfeita com certos sofrimentos da vida: “Apoiada na cruz e fortalecida pelas dores e sofrimentos de Cristo, tranquila aguardareis a eterna visão de Deus. Quem é perseguido e atribulado neste mundo, depois será saciado, consolado e iluminado na contemplação da divindade em gozo total, imediato, da divina doçura, mais ainda. Desde agora o Senhor consola os que por ele labutam. Mas sem o conhecimento de nós mesmos e sem o conhecimento da presença de Deus em nós, jamais atingiremos tão grande felicidade. Quanto sei e posso, suplico-vos que procureis com empenho esse conhecimento para obtermos a recompensa dos nossos esforços.”

E Santa Faustina diz em seu Diário (1630): “Meu Jesus, aumentai as forças de minha alma, para que o inimigo nada consiga. Sem Vós, sou apenas fraqueza. O que sou sem a Vossa graça, a não ser o abismo da minha miséria?”.

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