
Alguém só pode saber o que é ilusório se sabe o que é real. Necessariamente, para saber que algo é uma ilusão é necessário saber o que é real, porque toda ilusão é, por definição, o que não corresponde à realidade. Por exemplo: uma ilusão de ótica, fato possível, é uma ilusão a respeito de algo visto, é uma aparência de realidade que não é real na coisa vista. Só posso saber que uma visão é ilusória sei a visão real. O mesmo vale para a mentira, porque só posso saber se algo é mentira se sei qual é a verdade. Assim, a ilusão e a mentira, ao contrário de mostrar que não há nada real e verdadeiro, mostram que há sim o real e o verdadeiro, a realidade e a verdade, vida e bem da consciência humana.
O que a existência da ilusão e da mentira mostra é o limite e as possibilidades negativas da mente humana com relação à realidade cognoscível. O homem pode enganar e se enganar, mas dizer que se engana sempre é falso, porque há nisso uma contradição, que é saber sem engano que o homem se engana sempre. Assim, o mundo do conhecimento humano “não pode ser todo mentira, nem todo verdade”.
Pelo primado absoluto do Ser real, a realidade é o fundamento e sustentáculo de todas as coisas, e de certo modo mesmo das ilusórias.
No Escritura, no fato da ressureição de Cristo é dito: “Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: “A paz esteja convosco!”. 37.Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. Mas ele lhes disse: “Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho”. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: “Tendes aqui alguma coisa para comer?”. Então, ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado. Ele tomou e comeu à vista deles”. (Mc 24,36-43)
