
“(…) A morte de Cristo é como a causa universal da salvação humana. Ora, a causa universal deve ser aplicada a cada efeito. Por isso, foi necessário mostrar aos homens alguns remédios pelos quais lhes fosse aplicado de certo modo o beneficio da morte de Cristo. Esses remédios são sacramentos da Igreja”.
– Foi também conveniente que esses remédios fossem acompanhados de sinais visíveis. Primeiro, para que Deus providenciasse algo também para o homem, segundo a condição do homem, tal como providenciou para as demais coisas. Ora, é da condição humana aprender naturalmente as coisas espirituais e inteligíveis, mediante as coisas sensíveis, Por isso, foi conveniente serem os remédios espirituais dados aos homens por sinais sensíveis.
– Segundo, porque os instrumentos devem ser proporcionados à causa primeira. Ora, a primeira e universal causa da salvação humana é o Verbo encarnado, como se depreende do que foi dito acima. Por isso, foi conveniente que os remédios me diante os quais a virtude da causa universal atinge os homens tivesse semelhança com esta causa, isto é, que neles a virtude divina operasse invisivelmente por sinais visíveis.
(…)
– Para a vida corpórea e natural, são essencialmente necessárias três e uma quarta é necessária acidentalmente. Assim é necessário, em primeiro lugar, que pela geração ou nascimento se receba a vida; em segundo lugar, é necessário que pelo aumento chegue à quantidade devida e a força, em terceiro lugar é necessário alimento para a conservação da vida recebida por geração e para o desenvolvimento. Essas coisas são essencialmente necessárias para a vida natural, porque sem elas a vida corpórea não atinge a perfeição. (…) Mas, como na vida corpórea acontece aparecer algum impedimento, devido ao qual a coisa viva se enfraquece, é acidentalmente necessária uma quarta coisa, que é a cura do ser vivo doente.
– Também na vida espiritual há, em primeiro lugar, a geração espiritual pelo Batismo; em segundo lugar, o crescimento espiritual que leva à perfeita robustez, pelo sacramento da Confirmação; em terceiro lugar, o alimento espiritual, que é o sacramento da Eucaristia. Resta, ainda, em quarto lugar, a cura espiritual que se dá, só na alma, pelo sacramento da Penitencia, ou que da alma se estende para o corpo pelo sacramento da Extrema Unção. Essas coisas pertencem àqueles que foram gerados e se conservam na vida espiritual.
– Mas, os que propagam e ordenam a vida corpórea são considerados sob duplo aspecto: segundo a origem natural, o que cabe aos pais; e segundo o regime político pelo qual se conserva em paz a vida dos homens, e isto cabe aos reis e aos príncipes. 5. Acontece o mesmo com a vida espiritual. Com efeito, há os propagadores e conservadores da vida espiritual somente segundo o ministério espiritual, aos quais pertence o sacramento da Ordem, e há os que o são segundo o ministério corporal e espiritual simultaneamente, o que é feito pelo sacramento do matrimônio. Nesse, o homem e a mulher se unem para gerar a prole e para educá-la para o culto divino”. (Santo Tomás de Aquino)
