A ordem da Providência Divina abrange todas as coisas

Em sua Carta aos Romanos, São Paulo Apóstolo diz: “A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade. Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos, pois Deus lhes revelou com evidência. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato”. (Rm 1,18-21)

É próprio da criação a participação, porque as criaturas são realidades participantes da realidade participada, que é o Criador, com graus de semelhança finitos, com perfeições limitadas em relação às perfeições infinitas de Deus, no qual não há qualquer imperfeição.

As realidades sensíveis são realidades criadas, são sinais de realidades invisíveis, espirituais e imateriais, das coisas da inteligência, sobretudo do Criador, que é a causa total e ordenadora de toda a criação. Se há bondade, ordem, sentido e sabedoria na realidade, tudo isso vem do Supremo ordenador, da Sabedoria Divina e não do acaso e do caos, que excluem a ordem e por isso não a contêm e dela não podem surgir como efeito duradouro e permanente.

A lei da causalidade é eterna e assim é limitadora e relativizadora do caos e do acaso, se de algum modo existem. Pelos princípios universais do ser, como o de não contradição e o de causalidade, não há nada absolutamente caótico, desordenado e ao acaso. E não há de modo algum se reconhecemos Deus e sua Providência Divina a qual tudo está submetido. Santo Tomás de Aquino diz: “Deve-se primeiramente saber que, sendo Deus a causa de todas as coisas existentes, porque dá o ser a todas elas, é necessário que a ordem da sua Providência abranja todas as coisas. Pois, às coisas, às quais Deus dá o ser, necessariamente lhes dá a conservação e lhes confere a perfeição no fim último”. (“Suma Contra os Gentios”).

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