
Santo Tomás de Aquino mostra que pela lei divina o homem tem o dever de aceitar a verdadeira fé, as verdades reveladas da verdadeira religião, pois, entre outras coisas, Deus é a Verdade e dirige o homem para a verdade, sem jamais propor algo que seja falso.
Uma coisa é amada e desejada enquanto conhecida, pois sem o ser amável e o conhecimento não pode haver amor. A verdadeira fé, enquanto verdade revelada sobre Deus e as coisas divinas que excedem a capacidade da razão humana, de certo modo é conhecimento. A verdadeira fé está para o verdadeiro amor assim como a falsa fé está para o falso amor. Nada de falso pertence a Deus. Assim como é próprio da lei divina afastar os homens do pecado, também lhe é próprio afastar as falsas opiniões a respeito de Deus e das coisas divinas, porque, além ser a Verdade, Deus quer a felicidade do homem, que só pode estar na verdade e no bem. Ao amar a Deus pela vontade e ao crer em Deus pela inteligência, o homem se submete ao Criador, que nisso é reconhecido como verdadeiro Deus, como o Bem que é a fonte de todo bem, a Sabedoria que é a fonte de toda sabedoria.
Neste sentido, São João Apóstolo diz: “Muito me alegrei, Senhora, por ter encontrado alguns dos teus filhos que caminham conforme a verdade, segundo o mandamento que recebemos do Pai. E agora, Senhora, eu te peço – não que te esteja escrevendo a respeito de um novo mandamento, pois trata-se daquele que temos desde o princípio – : amemo-nos uns aos outros. E amar consiste no seguinte: em viver conforme os seus mandamentos. Este é o mandamento que ouvistes desde o início para guiar o vosso proceder. Acontece que se espalharam pelo mundo muitos sedutores, que não confessam a Jesus Cristo encarnado. Está aí o Sedutor, o Anticristo. Tomai cuidado, se não quereis perder o fruto do vosso trabalho, mas sim, receber a plena recompensa. Todo o que não permanece na doutrina de Cristo, mas passa além, não possui a Deus. Aquele que permanece na doutrina é o que possui o Pai e o Filho”.
Sedutores são os homens de aparente sabedoria e bondade, que dizem palavras enganosas, cheias de falsidade e de negação do que pertence a Deus e à verdade religião, que antes de tudo é Cristo e está em seu Corpo Místico, sua Santa Igreja, Católica, Apostólica e Romana. São como aqueles de que fala o profeta Isaías: “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce! Ai daqueles que são sábios aos próprios olhos, e prudentes em seu próprio juízo!”. (Is 20, 20-21)
