
Quando Cristo, em continuidade com São João Batista, o profeta precursor, diz “fazei penitência, pois o Reino de Deus está próximo”, entre outras coisas isso significa o “tempo da misericórdia” e o “tempo da justiça”, pois Cristo está presente entre os homens, portanto próximo, acessível, como o Salvador Misericordioso, que pela penitência e luta contra o pecado por parte do homem, concede-lhe o perdão, pecado que priva o homem da Face Gloriosa de Deus; e Cristo estará presente em sua vinda gloriosa no fim do mundo, como Justo Juiz, vinda que é próxima para qualquer geração, no sentido de que “não se sabe o dia nem a hora” e de que Ele virá como um ladrão, de modo inesperado e surpreendente.
O dia do Filho do Homem marca o fim de um tempo e o início de outro. Quando um tempo acaba, dizemos que não há mais tempo. No dia do Senhor, enquanto fim do tempo da misericórdia, não haverá mais tempo para conseguir e acumular tesouros eternos, como acontece quando há a morte nesta vida, e assim cada um ficará com o que tem: alguns com nada e outros com algo, no mais e no menos. Aqueles que não têm nada, a não ser bens que perecem, serão pegos despreparado e desprevenidos, e já não terão mais tempo de mudar, pois enquanto tiveram tempo preferiram bens inferiores, contra os conselhos e advertências de Deus.
Assim, é dito na Sagrada Escritura: “Acontecerá como nos dias de Ló: comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construíam. Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, Deus fez chover fogo e enxofre do céu e fez morrer todos. O mesmo acontecerá no dia em que o Filho do Homem for revelado. Nesse dia, quem estiver no terraço, não desça para apanhar os bens que estão em sua casa. E quem estiver nos campos não volte para trás” (Lc 17,26-37).
