
Tudo o que Deus exige do homem, exige por amor, por sua Bondade. Como ensina Santo Tomás de Aquino, a Bondade divina é o motivo da Vontade divina, em todas as coisas e sempre. Deus ama e quer as coisas na medida em que sua bondade está nelas, por participação. Como Deus, o Primeiro Princípio, é preexistente a todas as coisas criadas, é o amor de Deus que causa a bondade das criaturas e não a bondade das criaturas preexistentes que causa o amor de Deus, como acontece no amor humano. É o Amor de Deus, desde toda a eternidade, que move todas as coisas.
Deus exige coisas do homem, por exemplo em seus mandamentos; coisas que passam pela vontade do homem, como aquele que é senhor de suas eleições, que pode livremente, isto é, não necessariamente, escolher o que deve ou o que não deve, a virtude ou vício. O que Deus exige do homem é para o bem do mesmo homem, o que é próprio do amor, e jamais para o mal, o que é impossível, dado que o motivo da Vontade Divina é sempre a Bondade perfeita, que exclui qualquer maldade. Deus é o amor exigente que ensina ao homem as exigências do amor, porque o amor tem uma natureza, um logos, quanto ao qual há o necessário e o impossível.
Deus criou o homem com livre-arbítrio, com a liberdade de eleição, com a potência de querer algo espontaneamente e não necessariamente. Como não há contradição em Deus, que é o Ser puríssimo totalmente perfeito, é próprio de Deus afirmar e aperfeiçoar a natureza de uma criatura e não negá-la e corrompê-la. Por isso, conforme a ordem de sua Providência, o modo como dispôs as coisas desde a eternidade, Ele não elimina o livre-arbítrio do homem nessa vida terrena, na qual se pode passar do bem para o mal e do mal para o bem.
A este respeito, Cristo disse: “Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor” (Jo 15,9); e disse também: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).
