
Como a salvação do homem consiste no conhecimento da verdade, deve-se evitar ao máximo as confusões que falsificam a palavra de Deus, que é a palavra da verdade. Exemplo são as confusões religiosas do protestantismo, como “o somente a fé”.
A fé é um dom de Deus, porém um dom possível para todos, pois se é certo que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade e se o assentimento da fé ante a verdade revelada é necessário para a salvação eterna, não poderia ser de outro modo. Como Deus é eterno, que tudo faz desde a eternidade, o seu querer a salvação de todos abrange a totalidade dos homens em todos os tempos.
Aqueles que vão para o inferno perpétuo condenam-se pela própria vontade, porque do contrário teríamos de admitir que alguém foi para o inferno porque Deus quis, o que é impossível pois em Deus não há contradição. Na ordem de sua Providência, Deus quis que o livre-arbítrio humano fosse um fato decisivo na salvação, o que não exclui o auxílio divino, porque para alcançar a vida eterna é necessário a graça e a vontade, no sentido em que diz Santo Agostinho: “O Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”.
É pela vontade que o homem cumpre os mandamentos, que realiza obras de misericórdia, que reza, que recebe devidamente os sacramentos, que exerce as virtudes, que vive a Vontade de Deus, enfim, é pela vontade que o homem, senhor de suas eleições, vive a obediência da fé decisiva para a salvação eterna, o descanso sem fim no paraíso das divinas delícias e superabundante felicidade.
No Apocalipse é dito: “Disse ele ainda: “Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!” (22,10-15)
