“Entrai pela porta estreita”,”guardai-vos dos falsos profetas”

Cristo disse: “Irão levantar-se muitos falsos profetas e seduzirão a muitos. E, ante o progresso crescente da iniquidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,11-13).

Um tempo, em sentido histórico, é perverso pelas perversões importantes que nele há, ante a visão de Deus. Toda perversão é perversão de algo, que por si mesmo não é perverso, no mesmo sentido em que todo mal é ausência de bem, que por si mesmo não é mal. Em um de seus significados, perversão significa algo como ele não deveria ser, segundo as leis divinas, que expressam a vontade da Sabedoria de Deus, e de sua Bondade. Se a heresia é negação parcial da fé verdadeira, de uma ou mais verdades que lhe são essenciais, a apostasia é a negação total da fé verdadeira. Essa dupla negação, que por si mesmas são perversões, pois pela lei divina os homens devem aceitara verdadeira fé, significa desobediência, em oposição à obediência da fé, exigida para a salvação eterna e a participação nas bondades de Deus. A este respeito, Deus Pai disse a Santa Faustina: “Toda a vossa fé fundamenta-se na obediência; obedecendo, sois fiéis (…). Essa obediência comum (dos mandamentos) é muito importante; graças a ela recebestes a graça, assim como pela desobediência a tínheis perdido (Rm 5,19)”. (Diálogo).

Assim, a vida espiritual da Igreja e os tempos podem ser avaliados pelas heresias e apostasia que há nela, em maior ou menor medida. Nisso, importância negativa têm os falsos profetas, aparentes “homens de Deus”, que ensinam falsidades e perversões contra o verdadeiro Deus e a verdadeira religião. Desse modo, trabalham propriamente para o “espírito da falsidade”, o “pai da mentira”, e não para o Espírito da Verdade, o Espírito de Cristo; se comportam como descendentes da serpente e não como descendentes da Mulher, a Imaculada.

Os fiéis serão provados em sua fidelidade, em mais um capítulo da luta entre o Espírito da Verdade contra o espírito da falsidade, da virtude contra o vício. Como essa vida é um estado de guerra, em que se pode passar do bem para o mal, é exigido a fidelidade, a vontade e o esforço de permanecer no bem, com o auxílio divino, sem o qual não seria capaz. Isso significa que é mais fácil para o homem passar para o mal e permanecer no mal e mais difícil passar para o bem e permanecer no bem. Por isso, a “porta estreita” e a “porta larga” das palavras de Cristo.     

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram. Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores. Pelos seus frutos os conhecereis”. (Mt 7,13-16)

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