
Na Sagrada Escritura, Deus disse para a serpente: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3,14).
Não puro mal nem puro ódio, porque do mesmo modo que não há o mal sem o bem, não há ódio sem o amor. O amor e o bem têm prioridade sobre o ódio e o amor. Se o ódio e o amor são opostos, com mútuas negações, por essência possuem características opostas. Assim, como mostra a experiência, odiar algo é diferente de amá-lo. Por isso Deus, por amor, deseja que o pecador se converta e viva, enquanto o maligno, homicida desde o princípio, pelo ódio deseja que ela permaneça no pecado e morra, habitando eternamente o inferno.
O que a Imaculada ama é o que a serpente odeia, por isso entre elas e suas descendências só pode haver inimizade, oposição, dado que é próprio da amizade amar as mesmas coisas e detestar a mesmas coisas. O maligno odeia Maria pelas bondades que há nela e Maria o detesta pelo mal que há nele e que se espalha a partir de dele. Esta é uma oposição irreconciliável, perpétua como a nova e eterna aliança, pois Maria possui vontade imutável no bem e a serpente possui vontade imutável no mal. Deus pôs inimizade entre a serpente e a Mulher, porque Ela foi por Ele para destinada a derrotar a serpente, para, enquanto Nova Eva, esmagar sua cabeça junto com o Novo Adão.
