O homem espiritual e a verdadeira espiritualidade

São Paulo Apóstolo diz: “Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar. O homem espiritual, ao contrário, julga todas as coisas e não é julgado por ninguém”. (1Cor 2, 14-15)

Quanto mais espiritual um homem é, mais próximo está de Deus, porque Deus é Espírito. Porém, espiritual na verdadeira espiritualidade, que é sempre espiritualidade da verdade e das virtudes, antes de tudo a humildade acima de todas a caridade, pois Deus é Amor. Por isso, a vida espiritual frutuosa exclui o egoísmo, ou lhe afasta como algo prejudicial. Santa Faustina ensina que aquele que cumpre a Vontade de Deus exerce todas as virtudes. Assim, quanto mais espiritual o homem é na verdadeira espiritualidade, mais se conforma ou cumpre a vontade de Deus.

Os demônios, embora sejam puramente espirituais, com o poder que lhes é próprio, são decaídos no ser espiritual porque com vontade imutável se afastaram da verdade e da virtude, quer dizer, da Vontade de Deus. Também por essa razão a verdadeira religião, a religião de Cristo e da Imaculada, é a religião da obediência a Deus, e as falsas religiões são religiões da vontade e ideias próprias, humanas e diabólicas.

Na alma humana, o amor divino e o egoísmo, aquele amor de si com o desprezo de Deus, são como inimigos mortais, e como contrários produzem efeitos contrários para a vida espiritual, bens para a vida feliz e males para a vida infeliz, antecipações do Céu e do inferno.

Deus Pai disse para Santa Catarina de Sena: “Não vive o homem sem o amor; ele sempre procura algo para amar. Criei por amor, criei-o no amor. Assim, a vontade move a inteligência, quase dizendo-lhe: “Quero amar; o amor é meu sustento”. Desperta-se então a inteligência e responde: “Se queres amar, vou dar-te o bem para que ames”! (…) Em sentido inverso, se o apetite sensível procura os bens materiais, a eles orienta-se a inteligência; e quando esta toma como objeto os bens passageiros, surgem o egoísmo, o desprezo pelas virtudes, o apego ao vício e, como consequência, o orgulho e a impaciência”. (“Diálogo”)

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