
A misericórdia de Deus é para as criaturas, porque somente essa é miserável por si mesma e possui alguma miséria, já que o ser não lhe pertence por essência, mas é dado e mantido pela Vontade de Deus. Para mostrar o tamanho de sua Misericórdia benevolente, Deus concedeu ao homem tudo o que lhe pode ser concedido enquanto criatura finita que não pode ser igual a Deus, pois por natureza Deus só pode ser Uno. Como diz o jesuíta Cornélio a Lápide: “Deus é o Pai das Misericórdias. Nossas misérias são tão grandes e multiplicadas, que o real profeta Davi não pede a Deus que nos trate segundo sua misericórdia, senão segundo a multidão de suas misericórdias” (Sl 4, 3).
Nisso, Cristo e sua Mãe Imaculada são os maiores exemplares. No Evangelho de Cristo, que revela o Amor onipotente de Deus, Maria Santíssima, enquanto cheia de graça, com todos os seus privilégios, faz todo sentido, não retira glória alguma de Deus, e sim faz com a glória divina seja reconhecida e louvada, porque Maria também é para a maior glória de Deus. O mesmo Cornélio diz: “Quanto à sua substância, à sua essência, Deus é invisível; aos olhos do corpo, Ele somente pode ser visto por suas obras”.
A primeira “Ave Maria” foi dita pelo Anjo São Gabriel, um dos setes espíritos puros que assistem diante de Deus, que são vistos por Deus e veem Deus, em contínua adoração. “Entrando, o anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1,28).
