
Como ensina Santo Tomás, Deus faz todas as coisas por um fim, e o fim último das coisas feitas por Deus é a bondade divina. Deus quer o fim e quer aquilo que é para o fim, seus meios ou instrumentos. O querer de Deus é eficaz, de modo que os fins decididos por Ele se realizam como realidades feitas. Se a Sagrada Escritura, como ensina São Paulo Apóstolo, é para a instrução, então se pode dizer que ela é da Verdade para a verdade entre os homens, criaturas inteligentes. Como a Escritura tem a Verdade puríssima como princípio e a verdade como fim, ela deve ter corretamente entendida, para que a verdade prevaleça contra a falsidade, que é treva que a obscurece. Para este fim, Deus providenciou os meios dentro de sua Santa Igreja, geradora da Escritura como união de Antigo e Novo testamento, e entre esses meios antes de tudo o auxílio da inteligência divina que tudo ilumina.
Entre as várias razões negativas contra o protestantismo, que o mostram como algo que não pertence ao Logos Encarnado, está a seguinte: nascido de uma divisão e oposição, pelos seus próprios princípios tende multiplicá-las, gerando cada vez mais confusão, fragmentação e mistura da verdade com a falsidade. Por isso, como Deus quer para sua Igreja a verdade e a unidade como fim, o protestantismo não pode ser querido por Ele, pois prejudica o fim. A verdade jamais contradiz a verdade, Deus jamais se contradiz, pois ele é a Sabedoria fonte de toda sabedoria, o Ser fonte de todo ser, a Verdade fonte de toda verdade.
O protestantismo tende a multiplicar na religião o “cada cabeça uma sentença” e o “cada comunidade o seu próprio magistério”, e não encontra solução para isso em si mesmo. Assim, é um terreno fértil para os demônios, mestres da mentira sedutora, mestres em travestir-se de anjos de luz. O sacerdote jesuíta Cornélio A. Lápide diz: “O demônio é o autor de todos os crimes, de todas as mentiras e de todos os erros: por isto é o pai dos hereges e das heresias. Sem ele jamais teria existido o pecado; e sem ele, por conseguinte, jamais teria havido misérias, enfermidades, morte e inferno; porque todas estas coisas terríveis são a pena do pecado… Nenhum ser é tão culpável, criminoso, depravado e infame como o é Satanás…”.
