“Na verdade, o que existe de mais admirável, o que de mais belo do que a própria verdade?

Em Provérbios é dito sobre a sabedoria: “Na mão direita ela sustenta uma longa vida; na esquerda, riqueza e glória” (3,16). Em sentido espiritual, com Cristo, Sabedoria encarnada, vida longa é a vida eterna, riqueza é a dos bens celestes e glória é a participação sobrenatural no Ser Divino todo glorioso. A mão, por semelhança, é símbolo da força, porque com as mãos o homem move as coisas, e como ela pode construir e destruir. Sem as mãos a vida corporal do homem seria mais limitada, pois suas possibilidades seriam diminuídas e sua dependência do outro aumentada. Como a Sabedoria é o próprio Deus, Espírito Onipotente, fonte de todo bem, Ela sustenta, no homem que a possui, todos esses bens que são a longa vida, a riqueza e a glória. 

“Seus caminhos estão semeados de delícias. Suas veredas são pacíficas” (3,16). Assim como a sabedoria é espiritual, espirituais são suas delícias. Na sabedoria há sabor e odor, há o ver e o ouvir, e em tudo isso os seus deleites. Os deleites da sabedoria são os deleites do ser e da bondade possuídos pela alma inteligente. Os caminhos da sabedoria possuem o que lhe é próprio, como os prazeres da verdade contemplada amorosamente.

Ao falar do deleite de descobrir a verdade, Santo Agostinho diz: “Em relação aos espetáculos e a toda aquela paixão denominada curiosidade, o que buscam nela os homens, senão o deleite produzido pela descoberta das coisas como elas são? Na verdade, o que existe de mais admirável, o que de mais belo do que a própria verdade?” (“A Verdadeira Religião”)

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