
O profeta Davi disse: “A vós, Senhor, a grandeza, o poder, a honra, a majestade e a glória, porque tudo que está no céu e na terra vos pertence. A vós, Senhor, a realeza, porque sois soberanamente elevado acima de todas as coisas. É de vós que vêm a riqueza e a glória, sois vós o Senhor de todas as coisas; é em vossa mão que residem a força e o poder. E é vossa mão que tem o poder de dar a todas as coisas grandeza e solidez”. (1Crônicas 29,11-14).
Como enganoso engano sobre a relação entre política e cristianismo, há quem diga que Cristo condenou o poder. Na realidade, Cristo jamais negou o poder em si, o que seria sem sentido, porque todo poder necessariamente vem de Deus, inclusive o poder político. Entre outras razões, se tivesse negado o poder em si, não poderia receber o título de “descendente de Davi”, pois Davi foi rei com poder político, de modo que o Divino Jesus estaria associado ao que é mal por si mesmo, o que é impossível para o homem-Deus. O que Ele censurou, como algo para todos os tempos, é o poder exercido perversamente, de modo contrário a bondade divina. Como não há sociedade humana sem poder, e assim será até o fim do mundo, a difusão do verdadeiro cristianismo deve ter como efeito a cristianização do poder político para que seja exercido dentro das virtudes cristãs, como serviço em vista do Bem Supremo e do bem comum. Quer dizer: o poder que não pode ser totalmente abolido deve ser purificado e aperfeiçoado pelas virtudes cuja fonte está na verdadeira religião, que é o próprio Cristo e seu Corpo Místico, a Santa Igreja Católica.
Seja para o poder espiritual, seja para o poder temporal, Cristo ensina o poder como serviço, que é o poder na virtude, no amor a Deus, fazendo sua vontade, o que inclui o amor ao próximo, como ensina a sabedoria católica. Servir é ser instrumento, por meio do qual aquele que é servido recebe algum bem, pois servir é servir algo a alguém. Assim, o poder como serviço significa ser instrumento da Providência Divina que distribui suas bondades entre as criaturas, conforme sua Misericórdia ou Justiça.
Maria Santíssima, a mais poderosa das criaturas, disse: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes” (Lc 1,46).
