As realidades criadas são possíveis da Onipotência divina, ideias da Sabedoria divina e bondades da Vontade divina

Como palavras de instrução religiosa sobre a realidade, em Gênesis é ensinado que há o Criador onipotente e há a realidade criada. Na narrativa da criação, cada realidade criada por Deus possui finalidade, possui perfeições, em graus distintos porém sempre finitos, e possui a bondade de sua essência enquanto ideia na Mente divina realizada pela vontade divina que quis produzi-la no ser. Tudo o que Deus criou é bom porque é obra de sua vontade, que só pode querer o bem. As realidades criadas, entre as quais está o homem, são possíveis da Onipotência divina, ideias da Sabedoria divina e bondades da Vontade divina, participantes do Ser divino em graus finitos de semelhança, porém infinitamente distantes dele, e totalmente dependentes do Criador.  

Pela ideia divina, pela bondade de sua essência, pelas perfeições que recebeu e pelo fim ao qual foi destinado, abaixo dos anjos o homem é a mais elevada das criaturas, enquanto ser vivo inteligente, união de corpo e alma espiritual, dotado de liberdade e capacidade criadora, um colaborador de Deus a serviço de Deus, destinado à Felicidade eterna pela união consciente com o Ser Eterno totalmente perfeito. E em toda a criação, pelas perfeições recebidas, pelo grau de união com o Deus uno e trino, a mais elevada das criaturas é Maria Santíssima, a Imaculada Mãe do divino Salvador.

Na criação, como está na sequência dos dias, há realidades criadas para o ser humano, que pode e deve dominá-las como seu senhor, o que significa o poder superior que recebeu em razão do ser superior que recebeu, pois para poder é necessário ser; e todas as coisas são para Deus, como seu Senhor absoluto. Isto significa o grau de dignidade de casa coisa e a hierarquia do ser que é própria da criação.

A este respeito, Santo Tomás de Aquino diz: “Como porém se mostrou que a natureza intelectual é superior à corpórea, é consequente que toda e qualquer natureza corpórea se ordene à intelectual. Ora, entre as naturezas intelectuais a maximamente vizinha do corpo é a alma racional, que é a forma do homem. Por conseguinte, parece que toda a natureza corpórea é para o homem enquanto é animal racional…”. E, portanto, da consumação do homem depende de algum modo a consumação de toda a natureza corpórea”.      

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