
Na Sagrada Escritura é dito: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: “Faça-se a luz!”. E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas”. (Gênesis 1,1-4)
No princípio havia Deus, que em certo sentido existe desde sempre, sem princípio nem fim. Assim, Deus é necessariamente o Primeiro Princípio de tudo aquilo que tem um princípio. Porque necessariamente o efeito não pode ter mais ser que sua causa, e dado que nada pode vir do puro nada, então o primeiro princípio é o máximo ser, o Ser Supremo totalmente perfeito.
A primeira afirmação da Sagrada Escritura ensina algo sobre a totalidade do ser: a distinção entre o ser e não-ser, entre Criador e criatura, entre Ser eterno e não-ser eterno. Deus é o primeiro princípio das coisas criadas, que enquanto tais são consequentes do primeiro Antecedente. No princípio há a plenitude do Ser, que também é a plenitude do Poder, e a partir dela acontece a criação. O antecedente é sempre anterior e superior ao consequente. Assim, a criatura se distingue do Criador pelo menos e não pelo mais. Neste sentido, se há alguma evolução nas coisas, ela é sempre relativa e restrita, porque antes de tudo e desde sempre há a plenitude do Ser, de modo imutável, pois pela impossibilidade do nada absoluto, o ser necessário que há é o máximo de ser. Toda evolução só pode ser evolução relativa, porque sempre supõe a presença total do ser, e nada pode vir do puro nada.
