“Eu Sou aquele que sou”

Na Sagrada Escritura é dito: “Moisés disse a Deus: “Sim, eu irei aos filhos de Israel e lhes direi: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós'”. Mas, se eles perguntarem: ‘Qual é o seu nome?’ o que lhes devo responder?” Deus disse a Moisés: “Eu Sou aquele que sou”. E acrescentou: “Assim responderás aos filhos de Israel: ‘Eu sou’ enviou-me a vós”. E Deus disse ainda a Moisés: “Assim dirás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó, enviou-me a vós’. Este é o meu nome para sempre, e assim serei lembrado de geração em geração”.” (Ex 3,13-15)

Deus revelou a Moisés que seu nome, pelo qual seria lembrado de geração em geração, é “Eu Sou aquele que sou”. Nessa revelação, pode-se dizer que Deus é o próprio Ser, o Ser Puríssimo, o Ser Necessário, o Ser subsistente por si mesmo, totalmente perfeito, o primeiro princípio de todas as coisas, causa total do ser e da bondade nas coisas. O primeiro nome de Deus é “Aquele que é”, o Ser. A este respeito, São Boaventura diz: “O primeiro nome destes nomes – o Ser – refere-se particularmente ao Antigo Testamento, que proclama sobretudo a unidade da essência divina. Por isso, foi dito a Moisés: “Eu sou aquele que sou”.”

Eis a metafísica do Êxodo, unidade entre a verdadeira sabedoria filosófica e a verdadeira religião, enquanto religião revelada, entre a autêntica razão e a verdadeira fé, que principiam em Deus. Santo Tomás diz: “(…) Ora, o conhecimento dos princípios naturais evidentes é infundido em nós por Deus, pois Deus é o autor da natureza. Por conseguinte, esses princípios estão também contidos na sabedoria divina. Assim também, tudo que é contrário a eles contraria a sabedoria divina e não pode estar em Deus. Logo, as verdades recebidas pela revelação divina não podem ser contrárias ao conhecimento natural”.

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