
Diz a sabedoria católica que a Misericórdia divina está para a miséria humana, que Deus é dito misericordioso porque tira o homem da miséria. A misericórdia é uma virtude divina, um poder onipotente totalmente eficaz ante qualquer miséria humana; é um tipo de amor, no qual o miserável recebe, não como recompensa da justiça, sem merecimento, alguma bondade que atinge sua miséria.
Em Deus não há contradição nem desarmonia, e assim a misericórdia divina não contraria a justiça divina, outro atributo imutável de Deus, mas sim a supera por certo excesso de bondade. A medida da justiça é o merecimento, com o qual se recebe conforme a obra realizada, seja boa ou má, enquanto a medida da misericórdia, pelo excesso de bondade, ultrapassa essa medida, sem ser injustiça. A este respeito no salmo 129 é dito: “Se tiverdes em conta nossos pecados, Senhor, Senhor, quem poderá subsistir diante de vós? Mas em vós se encontra o perdão dos pecados, para que, reverentes, vos sirvamos”. (3-4)
A misericórdia é ressaltada no perdão e acolhimento do pecador arrependido, como é o caso do pai misericordioso da parábola do filho pródigo. Deus é misericordioso porque também perdoa os pecados daqueles que se arrependem, e esse perdão tem seu efeito, pois quem peca e permanece em seus pecados mortais perde muitos bens, sobretudo o bem da vida eterna, sem a qual o que há é a miséria eterna do inferno de sofrimentos sem fim, sem alguém ou algum remédio que possa ajudar.
Assim, porque é misericordioso Deus ensina a misericórdia, e nisso perdoa e ensina o perdão, como está na oração do Pai Nosso. Pertence aos ensinamentos do Evangelho que aquele que não perdoar não será perdoado e com a mesma medida que alguém julgar será ele mesmo julgado. Para Deus há duas medidas: a da misericórdia e a da justiça. Quem rejeita as graças da primeira, ficará com o julgamento severo da segunda.
Cristo misericordioso disse a Santa Faustina: “Que toda a humanidade conheça a Minha insondável misericórdia. Este é o sinal para os últimos tempos; depois dele virá o dia da justiça”. (848); “Quem não quiser passar pela porta da Misericórdia, terá que passar pela porta da minha justiça…”. (1146); “Feliz a alma que, durante a vida, mergulhou na fonte da misericórdia, porque não será atingida pela justiça” (1075).
