
“Naquele tempo, ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas da multidão diziam: “Este é, verdadeiramente, o Profeta”. Outros diziam: “Ele é o Messias”. Mas alguns objetavam: “Porventura o Messias virá da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?” Assim, houve divisão no meio do povo por causa de Jesus. Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele. Então, os guardas do Templo voltaram para os sumos sacerdotes e os fariseus, e estes lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?” Os guardas responderam: “Ninguém jamais falou como este homem”. Então os fariseus disseram-lhes: “Também vós vos deixastes enganar? Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? Mas esta gente que não conhece a Lei, é maldita!”(…)”. (Jo 7,40-49)
Para os sumos sacerdotes e certos fariseus aceitar as palavras de Cristo era se deixar enganar, e acreditar nele era coisa de quem não conhecia a Lei. Porém, como a Sabedoria já tinha dito como profecia, eles estavam cegos por sua malícia, não queriam saber nem compreender, não andavam no caminho da verdade, eram homens de cabeça dura, com a inteligência fechada para a verdade vivente que lhes falava.
“Houve divisão no meio do povo por causa de Jesus”, entre aqueles que diziam ser Ele “o Profeta”, “o Messias” e aqueles que negavam. Entre aqueles que negavam que Cristo é o Messias há os que negavam por alguma ignorância e outros por malícia, como cegos que não querem ver. Sem incluir a “ignorância invencível”, ambas são culpáveis, embora em graus diferentes de gravidade e pena merecida. O que é dito sobre a negação de Cristo vale também para a negação de sua verdadeira Igreja, Católica, fora da qual não há salvação.
Cristo é a Verdade encarnada e tudo o que disse é verdadeiro, é a Sabedoria encarnada e tudo o que disse é foi dito com sabedoria, e por isso alguns afirmaram “Ninguém jamais falou como este homem”. A divisão é causada pela vontade humana, por aqueles que não acreditavam. Na divisão, se há culpados, culpa têm aqueles que estão do lado da falsidade e da maldade. O filósofo Dietrich von Hildebrand diz: “Na realidade existiram apenas duas frentes no mundo nos últimos dois mil anos: a frente por Cristo e aquela contra Cristo. Ela é a pedra-de-toque que separa todos os espíritos. Quaisquer outras antíteses desviam da questão decisiva e, portanto, permanecem superficiais”.
