Judas não estava predestinado à condenação, como não está nenhum homem

No Evangelho é dito: “Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: “Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para as dar aos pobres?” Judas falou assim não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela. Jesus, porém, disse: “Deixa-a; ela fez isto em vista do dia de minha sepultura. Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis”.” (Jo 12,1-11)

O discurso de Judas Iscariotes a favor dos pobres, de aparente bondade, estava acompanhado de motivação maliciosa. O apóstolo desviante via naquilo um modo de satisfazer seu interesse egoísta, contra a verdadeira caridade, e para isso estava disposto a enganar, contra os conselhos do Divino Mestre. Judas era um escolhido, destinado a grande glória como Apóstolo; andava com Cristo, mas sua mente e seu coração estavam distantes de Cristo. Era terreno, afeito a coisas terrenas, cheio de ideias próprias, contrárias à Sabedoria divina, e de vontade própria, contrária à Vontade divina, que é sempre a vontade da Bondade, a melhor vontade.

Judas não estava predestinado à condenação, como não está nenhum homem, porque Deus quer que todos se salvem a cheguem ao conhecimento da verdade. Desse modo, ele poderia não ter feito o que livremente fez, embora instigado pelo demônio, o pai da mentira, a serpente maliciosa. O coração soberbo e a vontade perversa de Judas foram sua perdição; poderia não ter traído, e depois de trair Cristo poderia ter se arrependido, como Pedro se arrependeu, e ao receber o perdão começou um novo momento em sua vida, como o Salmista do Salmo 50, pela Misericórdia de Deus, que não impôs limite numérico aos seus perdões, embora a imensidão da misericórdia de Deus não deva ser vista como motivo para pecar à vontade e o caminho prudente seja o homem arrependido se esforçar para não cair novamente no pecado, como foi dito a mulher adúltera: “Vai e não peques mais”.

O mau caminho de Judas inclui a desconfiança da Sabedoria divina, que não pensa o mesmo que os homens, e nisso ele traiu Jesus, e inclui o desespero da Bondade divina, e nisso se enforcou, movido pelo desespero do remorso destruidor, pelos tormentos em que a serpente homicida o envolveu.       

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