Não é possível haver contradição entre o conhecimento da Revelação e o conhecimento natural

O Salmo 52 ensina: “Diz o insensato em seu coração: “Não há Deus””.

Contrário aos enganos da falsa sabedoria mundana, não é imprudente crer nas verdades reveladas da fé católica, porque não há nada que seja absolutamente verdadeiro e, enquanto tal, se oponha a elas, além de haver motivos de credibilidade a seu favor, como os milagres, sinais e prodígios que as envolvem nos mais de dois mil anos de história da Igreja. Santo Tomás de Aquino ensina que não é possível haver contradição entre o conhecimento da Revelação e o conhecimento natural. Nesta mesma linha, o filósofo Dietrich von Hildebrand diz: “(…) Se a Revelação e a razão natural representam dois caminhos distintos para a verdade, existe ainda objetivamente apenas uma Verdade, que não pode ser contraditória consigo mesma”.

Pelo que é dito na Sagrada Escritura, Pedro fala do Cristo ressuscitado como testemunha, porque o viu morto com morte verdadeira, e depois o viu vivo, como verdadeiro homem corporal com vida verdadeira. A verdade da Revelação pressupõe implicitamente verdades naturais que a razão humana pode alcançar, como o evidente princípio de não contradição. Este está presente no fato da Ressureição, pois Jesus só pôde ter ressuscitado no sentido em que deve ser entendido como dogma da fé se ele de fato morreu, dado que se estivesse sempre vivo não seria possível voltar a viver. A ressureição é necessariamente para os mortos, porque nada pode estar vivo e morto ao mesmo tempo sob o mesmo aspecto. Se a fé ensinasse que Jesus ressuscitou sem ter morrido, não mereceria crédito, pois seria algo sem sentido pela razão que vê a realidade em suas possibilidades, impossibilidades e necessidades, a partir do princípio de não contradição.

Este tipo de consideração razoável é, por exemplo, parte importante do modo de consideração da filosofia e da teologia de Santo Tomás de Aquino, modelo de filósofo, que tende para a Sabedoria pelo exercício da razão, e modelo de teólogo, que entre outras coisas trabalha para contribuir com a inteligência das verdades reveladas. Por exemplo, em seu “Compêndio de Teologia”, na demonstração da imutabilidade de Deus, ele diz: “Disto aparece que necessariamente Deus, que move todas as coisas, é imóvel. (…) O primeiro sem dúvida não é possível. Porque, com efeito, tudo o que se move está, enquanto tal, em potência; ora, o que move está em ato; se segundo o mesmo fosse motor e movido, seria necessário que segundo o mesmo estivesse em potência e em ato: o que é impossível”.    

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