O relativismo é negação do verdadeiro absoluto em nome de um falso absoluto

Na realidade há o relativo, há coisas relativas, no sentido de dependentes de outras e, em alguns casos, dependentes do homem. Porém, a presença do relativo não é razão para negar o absoluto. O absoluto é necessário, dado que nem tudo pode ser relativo, porque ser relativo é necessariamente depender de outro para ser, de modo que, caso tudo fosse dependente de outro, sem o qual não haveria, teríamos o nada total. Assim, pode-se dizer que o absoluto é necessário, é uma exigência do ser, em oposição ao qual haveria o nada absoluto, que é contradição do ser, cuja presença é evidente.

Objetivamente, o relativismo é negação do verdadeiro absoluto em nome de um falso absoluto, que por si mesmo é sem sentido, porque é tornar absoluto o relativo, é uma absolutização do relativo. Se tudo é necessariamente relativo, então tudo é absolutamente relativo, independentemente do homem. Este é um dos modos de reconhecer a contradição do relativismo, que nega a si mesmo, razão pela qual deve ser reconhecido com falso e, consequentemente, deve ser negado, repelido como um mal objetivo, pois a verdade é o bem da inteligência.

O subjetivismo, enquanto negação de valores e bens objetivos, é falso, não corresponde à realidade objetiva, às coisas como realmente são. Que há valores e bens relativos é uma coisa, mas que todos os valores e bens sejam subjetivos e dependentes da opinião de cada homem, é falso. Quer dizer, corretamente entendida, a relatividade de valores não significa subjetividade dos valores no sentido do subjetivismo, porque há valores e bens relativos que são objetivos. Por exemplo, o valor da utilidade. Como diz o filósofo Millan-Puelles: “o que é útil – e enquanto o é – não possui um valor absoluto; vale somente na medida em que serve para algo, e este serviço o subordina àquilo mesmo que mediante ele se obtém”.

Assim, ser útil é possuir valor relativo, mas, se é realmente útil para aquilo que é útil, possui valor objetivo, vale objetivamente como tal, independentemente das opiniões humanas. A vida humana está cheia desses casos, a exemplo dos produtos da arte farmacêutica e do tratamento de pacientes na arte médica, voltadas para o bem objetivo da saúde.  

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