Deve haver um “eu creio” da pessoa e um “nós cremos” da comunidade dos discípulos batizados

As palavras da oração sacerdotal de Jesus são misteriosas, porque, dentre outras coisas, dizem respeito ao mistério da Santíssima Trindade, na unidade absoluta do único Deus, e ao mistério da habitação das Pessoas Divinas na alma do fiel cristão. Deus é Verdade e suas palavras são verdade. Por isso, a unidade querida por Cristo Senhor é uma unidade na verdade, no Espírito da Verdade, o Espírito de Pentecostes, da Verdade amada simultaneamente amante.

Como está na Escritura Sagrada, para a salvação eterna é necessário crer em Cristo e em suas palavras, com a obediência da fé, com uma fé viva pelas obras, a partir da graça divina, dos auxílios da Misericórdia onipotente. Como Cristo é “o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8), assim como a verdade imutável de suas palavras, a fé de todos os autênticos fiéis, como resposta à divina Vontade revelada, deve ser a mesma, de modo que na religião verdadeira, no cristianismo do Apóstolos, deve haver um “eu creio” da pessoa e um “nós cremos” da comunidade dos discípulos batizados. Nessa unidade exigida pela ordem divina do ser, há uma multiplicidade legítima, como diversidade de dons, ofícios e estados de vida, e há uma multiplicidade ilegítima, como o pluralismo teológico e o relativismo dogmático.  

Tal como mostra a experiência, a unidade do protestantismo e seus filhos é uma unidade no anticatolicismo. O protestantismo é uma invenção da serpente astuta com a colaboração de homens soberbos, e nasce da negação e da divisão, e, com os frutos que lhes são próprios, pois pelos frutos conhecereis, ele tende a multiplicar invenções inúteis, negações contraditórias e divisões assoladoras. Assim, no protestantismo prevalecerá sempre um certo “cada cabeça uma sentença” e “cada comunidade o seu magistério”, em torno da Escritura, que nisso é obscurecida por opiniões humanas e doutrinas de demônios.  Como tudo isso não favorece a verdade mas sim o engano, não pode ser obra de Deus, nem a Igreja de Cristo, que, em sua Pessoa Divina, é a Sabedoria ordenadora das coisas criadas, que refletem perfeições divinas.

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