Ateísmo e moralidade objetiva

No livro dos Salmos é dito: “Ele (Deus) ama a justiça e o direito, da bondade do Senhor está cheia a terra” (Salmos 32, 5); “A justiça e o direito são o fundamento de vosso trono, a bondade e a fidelidade vos precedem” (Salmos 88, 15); “De vossa bondade, Senhor, está cheia a terra; ensinai-me as vossas leis” (Salmos 118, 64).

Sem um fundamento religioso objetivo, isto é, sem o Deus verdadeiro que é o Bem fonte de todo bem e que dá leis aos homens no sentido de dirigi-lo para seu devido fim, falar em moralidade objetiva é uma ilusão, de modo que a bondade e a maldade absoluta não passam de invenções humanas mutáveis.

Sem um fundamento absoluto para a moral humana, que implique deveres morais objetivos ante a Bondade divina, aos quais a vontade do homem deve se submeter livremente, é próprio do ateísmo o amoralismo e o relativismo moral. No ateísmo, por consequência, cada homem é seu próprio deus, sendo limitado apenas pela força do mais forte, de modo que a vontade própria de cada um é “o bem absoluto”.

Dentro do ateísmo, não há exigências morais para um ateu, a não ser aquelas que ele quiser para si. O proibido, o permitido e o devido é uma escolha de cada um, e o único princípio moral válido é: tudo permitido, nada proibido nem devido. Na realidade objetiva, a moral ateia, que é amoralismo, só pode ser isso. Assim, o “bom ateu” de certo modo é um mito, não porque não possa haver ateus que façam este ou aquele ato moralmente bom, e sim porque, se o que ele fez é bom, isto acontece apesar de seu ateísmo, e não por causa do ateísmo. Neste sentido, a questão de “se alguém pode ser bom sem religião ou sem acreditar em Deus” não faz sentido, dado que sem a religião verdadeira do Deus verdadeiro, não há bondade nem maldade, ninguém é bom ou mal, tudo isso é relativo e ilusório.    

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