“Queremos o bem a quem amamos e o mal a quem odiamos”

Como está escrito no Evangelho de São João, Cristo disse: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

É próprio do amor a intenção benevolente para com o ser amado, o interesse pelo bem objetivo do amado. “O amor necessariamente deseja conceder bens objetivos à pessoa amada” (Dietrich von Hildebrand).

Como ensina Santo Tomás de Aquino, o amor de Deus é a causa da bondade no homem e não a bondade preexistente no homem é a causa do amor de Deus, assim como a ciência divina é a causa do ser do homem e não o ser do homem é a causa da ciência divina. Há analogia entre o amor que é Deus e o amor que há nos homens, isto é, há um mínimo de semelhança, como o interesse benevolente, sem a qual ambos não poderiam ser ditos amor, e há diferenças essenciais importantes, como aquilo que separa o Ser Infinito do ser finito, o Ser Absoluto do ser relativo.

O amor de Deus que lhe fez dar ao mundo o seu Filho único, a Sabedoria Divina que é Pessoa Divina eterna, é o amor benevolente, o amor misericordioso ante a miséria do amado. Movido por pura bondade, por perfeita generosidade, e sempre com liberdade, Deus realiza para os homens uma obra de Misericórdia, faz o imenso bem da Encarnação para ser fonte de muitos bens, sobretudo do bem objetivo da vida eterna, na qual se tem o Sumo Bem como posse imutável, uma vida sumamente feliz de modo perpétuo.

Deus é o Bem fonte de todos os bens, e a total perfeição de seu Ser Divino, absolutamente único, é a razão das bondades participadas e possuídas pelas criaturas, em especial pelo homem. Diz Santo Tomás: “Com efeito, como o amor está para ao bem, o ódio está para o mal, pois queremos o bem a quem amamos e o mal, a quem odiamos” (Suma Contra os Gentios).   

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