
Não há nem poder haver na ciência – e na filosofia – uma verdade apodítica com razão necessária que necessariamente exclua algum dogma da fé e, consequentemente, mostre-o como falso. Da parte da ciência e da filosofia não há, nem jamais haverá, razões necessárias contra os conteúdos da verdadeira fé. Na melhor das hipóteses, o que há são coisas hipotéticas, com aparência de verdade, porém objetivamente falsas. Na pura razão, o hipotético não está acima de qualquer dúvida razoável, diferentemente da certeza objetiva por razões necessárias. Razoavelmetnte, na ciência das meras hipóteses todas elas podem ser colocadas em dúvida. Na ciência das certezas, não há razão para se duvidar das verdades reveladas, que são indestrutíveis.
O assentimento às realidades da fé não seria razoável se elas fossem impossíveis. Como são possíveis, pela ausência de contradição intrínseca, então são razoáveis neste primeiro sentido elementar de razoável, pois o que é absolutamente impossível por contradição, o que é absurdo como um quadrado-redondo, não é razoável em nenhum sentido.
Deus, o criador de todas as coisas, deve ser considerado “a causa principal de todo o sentido e todas as sentenças da Escritura” (Papa Bento XV). Na obra que é a Sagrada Escritura, há uma comunidade de trabalho entre Deus e os homens que a escreveram: Deus como causa primeira com sabedoria onipotente e cada escritor como instrumento agente. Como Bem fonte de todos os bens, Deus “proporciona à mente do autor luz para propor aos homens a verdade…”.
Na escritura divina há verdades absolutas que compõem o patrimônio da verdadeira religião, há “a perfeita verdade da palavra divina”. Mãe, mestra e guardiã dessas verdades é a Igreja de Cristo – Católica, Apostólica e Romana -, que conta com a promessa do auxílio infalível do Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que pode ensinar e lembrar, a quem Ele quiser, todas as coisas que pertencem à Sabedoria de Cristo, a Palavra Viva e vivificante que se fez carne e habitou entre nós, para a salvação eterna dos que viriam a acolher a graça pela obediência da fé.
